Prisão do Amor: A Possessão que Fere
Amar, e te querer, é me perder no teu olhar,
Mas quando te amo, é tua prisão que quero criar.
Isola, cerca, e tira a razão,
Faz da liberdade um mero vão.
Quero-te, mas te tenho como um bem,
Não há escolha, não há caminho além.
O direito de ser se dissolve no ar,
E quem sou eu, senão o que você me deixa estar?
Em cada toque, em cada palavra contida,
Há o peso do que se perde na vida.
Amor ou posse? A linha se apaga,
Na ânsia de ter, a alma se defraga.
Fere quem se ama ao negar o poder,
De ser, de escolher, de viver sem temer.
No coração que é só dor e nevoeiro,
O amor é prisão, o aprisionado é inteiro.
Te amo, mas te fecho em minha pele,
E a dor do não ser, comigo vive, e repete.
O que é amor, senão espaço aberto?
Quando o ser se fecha, o amor se desfez,
E o que sobra é só um eco disperso.
O que é amar, se não deixar ser?
O que é posse, senão mentira que fere?
No cárcere do amor, quem somos nós?
Seres presos, ou seres livres, em nossos próprios vós?
Nenhum comentário:
Postar um comentário