sexta-feira, 22 de agosto de 2025

 

Prisão do Amor: A Possessão que Fere

Amar, e te querer, é me perder no teu olhar,

Mas quando te amo, é tua prisão que quero criar.

Isola, cerca, e tira a razão,

Faz da liberdade um mero vão.

Quero-te, mas te tenho como um bem,

Não há escolha, não há caminho além.

O direito de ser se dissolve no ar,

E quem sou eu, senão o que você me deixa estar?

Em cada toque, em cada palavra contida,

Há o peso do que se perde na vida.

Amor ou posse? A linha se apaga,

Na ânsia de ter, a alma se defraga.

Fere quem se ama ao negar o poder,

De ser, de escolher, de viver sem temer.

No coração que é só dor e nevoeiro,

O amor é prisão, o aprisionado é inteiro.

Te amo, mas te fecho em minha pele,

E a dor do não ser, comigo vive, e repete.

O que é amor, senão espaço aberto?

Quando o ser se fecha, o amor se desfez,

E o que sobra é só um eco disperso.

O que é amar, se não deixar ser?

O que é posse, senão mentira que fere?

No cárcere do amor, quem somos nós?

Seres presos, ou seres livres, em nossos próprios vós?

CONCEIÇÃO PEARCE

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