terça-feira, 26 de agosto de 2025

 

Infâncias Roubadas

No berço onde deveria morar o sonho,

Habita o medo em olhos de criança.

Mãos sujas rasgam véus de esperança,

E a pureza escorre no silêncio tristonho.

Não há mais bonecas, nem quintal, nem céu,

A infância agora veste salto e maquiagem.

Brinca de ser grande farsa, personagem

Enquanto a rede a vende como um troféu.

Na tela azul, likes são algemas invisíveis,

Olhares doentes caçam pele e inocência.

Corpos expostos, desfeita a decência,

Entre danças virais e risos terríveis.

O predador não se esconde no mato escuro,

Ele mora ao lado, elogia, compartilha.

Comenta com coração, mas nada brilha

Nos olhos da vítima, só um abismo duro.

Pais que vendem o brilho dos seus filhos

Por views, por grana, por fama ilusória.

Transformam amor em moeda provisória

E assistem calados seus piores delírios.

A infância sangra em becos e mansões,

Em favelas, em iPhones de última geração.

O abuso não escolhe cor, nem condição:

Ele entra pelas portas, pelas conexões.

Há gritos engasgados no travesseiro,

Há vergonha, há culpa que não é delas.

E o mundo vira o rosto diante das janelas,

Onde a dor vira conteúdo passageiro.

Mas há de vir um tempo de justiça e luz,

Onde toda criança seja só criança.

Sem medo, sem dor, só riso e esperança.

E cada pedófilo carregue sua cruz,

E um dia a justiça o encontre .

CONCEIÇÃO PEARCE

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